Caso Mary Hellen: brasileira presa por tráfico na Tailândia volta ao Brasil, diz defesa
14/10/2026
(Foto: Reprodução) Em 27 fotos: Conheça Mary Hellen, brasileira presa na Tailandia por tráfico de cocaína
A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, moradora de Pouso Alegre (MG), voltou ao Brasil após cumprir pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia. A informação foi confirmada ao g1 pela advogada responsável pelo caso, Kaelly Cavoli Moreira. A data exata do retorno não foi informada.
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Segundo a advogada, Mary Hellen está recomeçando a vida com a família, após perder a mãe e o avô durante o período em que esteve presa. A defesa também afirmou que a equipe jurídica ofereceu suporte à brasileira durante a prisão, mas relatou dificuldades na relação com a Embaixada do Brasil.
"Ela respondeu ao processo de forma adequada na Tailândia. Fizemos tudo o que podíamos para apoiar a Mary Hellen durante o período e fornecemos todo o suporte possível. Enfrentamos muitas dificuldades geradas pela própria embaixada brasileira, que dificultou o acesso e falhou na prestação de suporte", disse ao g1.
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Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Mary Hellen foi presa em fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, com outro brasileiro e cerca de 9 kg de cocaína escondidos em três malas. Em maio do mesmo ano, ela foi condenada a 9 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas. (relembre abaixo)
Procurado pelo g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Bangkok, tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou assistência consular à brasileira.
Segundo o ministério, o atendimento consular ocorre a partir do contato do próprio cidadão ou, dependendo do caso, de familiares. A pasta afirmou ainda que a atuação consular brasileira segue as legislações nacional e internacional.
O Itamaraty ressaltou que, em respeito à privacidade dos cidadãos e em cumprimento à Lei de Acesso à Informação e ao Decreto nº 7.724/2012, não divulga informações pessoais de brasileiros que solicitam serviços consulares nem fornece detalhes sobre a assistência prestada.
Defesa relatou dificuldades
Em abril, a defesa afirmou enfrentar dificuldades para obter informações atualizadas sobre a situação de Mary Hellen na Tailândia. Segundo a advogada, o contato com a brasileira era praticamente inexistente desde o início do ano.
De acordo com a defesa, a comunicação era feita anteriormente por chamadas de vídeo intermediadas pela embaixada brasileira. Esse suporte, no entanto, teria sido interrompido, o que, segundo Kaelly, dificultou o acesso a informações tanto para a equipe jurídica quanto para os familiares.
"Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira", afirmou a advogada, em nota enviada na ocasião.
Na época, a defesa também apontou dificuldades relacionadas à barreira do idioma, às diferenças entre os sistemas jurídicos e ao fuso horário. A equipe jurídica buscava alternativas para acompanhar a fase final do cumprimento da pena.
Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia
Arquivo pessoal
Em posicionamento ao g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanhava o caso desde 2022. Segundo a pasta, a assistência consular incluía visitas periódicas, oferta de auxílio material quando necessário e contato com as autoridades prisionais para acompanhar a situação da brasileira.
O ministério afirmou ainda que a atuação seguia as diretrizes da Convenção de Viena sobre Relações Consulares e do Regulamento Consular Brasileiro.
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Redução da pena e expectativa de retorno
Ainda em abril de 2026, a defesa informou que o último contato com Mary Hellen havia ocorrido em novembro de 2025. Na ocasião, segundo a advogada, a brasileira já havia conseguido uma redução significativa da pena após apresentar bom comportamento no sistema prisional.
Ainda havia um pedido protocolado em dezembro de 2025, em que a análise era aguardada pela defesa. Segundo Kaelly, Mary Hellen também havia sido beneficiada pelo chamado Perdão Real em relação à multa, além de outras medidas que contribuíram para a redução da pena.
Naquele momento, a expectativa era de que o cumprimento da sentença fosse concluído no primeiro semestre de 2026. Diante das dificuldades para obter informações, familiares e advogados buscavam alternativas para acompanhar a situação da brasileira.
Uma das medidas em estudo era a contratação de um advogado que atuasse diretamente na Tailândia, de forma particular ou voluntária. A família chegou a buscar recursos para viabilizar esse acompanhamento.
Relembre o caso
Entenda: brasileiros presos por tráfico na Tailândia
Mary Hellen Coelho Silva foi presa em fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, junto de outro brasileiro. Segundo as informações divulgadas na época, o grupo transportava 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga.
O caso ganhou repercussão no Brasil por causa das leis rigorosas da Tailândia para crimes relacionados a drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico pode ser punido com pena de morte no país.
Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal. A sentença foi divulgada no Brasil no dia 11 de maio.
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O advogado Telêmaco Marrace, que atuava no caso na época, informou que Mary Hellen se declarou culpada perante a Justiça tailandesa. Segundo ele, a brasileira admitiu ter entrado no país com drogas e afirmou ter atuado como "mula" do tráfico. Até então, os advogados afirmavam que a jovem não sabia da existência da droga dentro da mala.
Posteriormente, a defesa informou que a brasileira recebeu benefícios que reduziram a pena, incluindo o perdão dos valores da multa aplicada pela condenação civil, de 750 mil bahts, equivalentes a cerca de R$ 105 mil na cotação da época.
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