Entre plantões e emergências, médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora

  • 15/07/2026
(Foto: Reprodução)
Médica faz polvinhos de crochê para bebês internados na UTI em JF Entre incubadoras, plantões e emergências, a pediatra Fabiana Nogueres reaprendeu a técnica do crochê e começou a confeccionar "polvinhos" para os recém-nascidos internados na UTI neonatal do Hospital Albert Sabin, em Juiz de Fora. Desde que começou, a médica já entregou mais de 100 peças à mão. Cada polvo acompanha o bebê durante todo o período de internação e, após a alta, vira recordação para a família. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A pediatra Fabiana Nogueres reaprendeu o crochê para confeccionar polvinhos destinados a recém-nascidos internados na UTI neonatal Elton Moreira/TV Integração Como tudo começou A iniciativa chegou ao Hospital Sabin há cerca de sete anos, quando a UTI neonatal adotou o Projeto Octo, criado na Dinamarca. No início, os bonecos vinham de doações de voluntários. A decisão de Fabiana de aprender a técnica surgiu na própria UTI, ao observar uma mãe que passava as horas de internação do filho crochetando polvinhos para outros bebês. "Ela tinha o filho internado e, mesmo naquele momento tão difícil, dedicava o tempo a produzir polvinhos para doar. Aquilo me marcou muito", relembrou a pediatra. Embora não fizesse crochê desde a infância, quando aprendeu as primeiras laçadas com a avó, a médica retomou a prática rapidamente: "Foi como andar de bicicleta", brincou. A pediatra já fez mais de 100 polvinhos para os pacientes internados na UTI neonatal. Redes Sociais Um companheiro na incubadora Para ficar com os pacientes, a médica ressalta que o polvo atende a rígidos critérios de segurança hospitalar. As peças usam fio 100% algodão, seguem medidas padronizadas e passam por esterilização antes de entrar nas incubadoras para evitar infecções. Para a pediatra, o projeto oferece suporte emocional direto também aos pais. "As famílias se sentem acolhidas quando percebem que a equipe vai além do tratamento físico. Sabem que o bebê não está sozinho na incubadora e que ele tem o amigo polvo", explica Fabiana. No início do projeto, Fabiana demorava cerca de três dias para finalizar um boneco. Com a prática, produz até dois por dia durante os momentos de descanso. "Cuidar de um bebê significa acolher também a história que começa ali e a família que o recebe. Ver uma criança superar uma fase difícil e dar esperança aos pais é a maior recompensa", conclui a pediatra. Médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora Arquivo Pessoal Acolhimento na prática A administradora Roberta Maira da Silva Muniz Gaspar conhece bem a apreensão de uma UTI neonatal. A filha Maria Luísa, atualmente com 4 anos, nasceu prematura extrema com 36 semanas de gestação, pesando apenas 1,1 kg. A menina ficou 45 dias na UTI devido a complicações graves respiratórias e intestinais. Nesse período, o brinquedo trouxe conforto. "Nós o chamamos de 'polvinho do amor'. Saber que ela tinha aquela companhia me dava segurança. A doutora Fabiana fez toda a diferença pelo olhar humanizado", contou Roberta. Mesmo após a internação, Maria Luísa ainda tem o amigo polvo. Médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora Redes Sociais Outro bebê que recebeu um polvinho foi Benjamin Lins Brandão, de quase 2 anos. Ele nasceu prematuro de 33 semanas após uma gravidez natural inesperada e passou 28 dias na UTI. A mãe, a administradora Iale de Andrade Lins, destaca a sensação de familiaridade do objeto. "O ambiente da UTI é muito agressivo. Os tentáculos do polvo lembram o cordão umbilical e acalmam. O Benjamin é um milagre, e o polvinho dele continua guardado com muito carinho no quarto." O Projeto Octo Criado em 2013 na Dinamarca, o Projeto Octo foca na humanização do ambiente hospitalar. O formato do brinquedo simula o útero materno: o toque nos tentáculos acalma os recém-nascidos e evita que eles puxem sondas, cateteres e outros acessos essenciais. Como o uso se baseia em protocolos internos de cada hospital, as diretrizes variam. O g1 procurou o Ministério da Saúde para verificar se há uma recomendação oficial sobre o uso das peças nas UTIs públicas, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora Arquivo Pessoal VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2026/07/15/entre-plantoes-e-emergencias-medica-reaprende-croche-para-garantir-polvinhos-que-acolhem-bebes-na-uti-neonatal-em-juiz-de-fora.ghtml


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